Champignon, do Charlie Brown Jr., é encontrado morto em São Paulo


O músico Luiz Carlos Leão Duarte Junior, conhecido como Champignon, foi encontrado morto em seu apartamento na madrugada desta segunda-feira,segundo informou o 89º DP.

Ele morava com a mulher no Condomínio Edifício Morumbi Park, na Rua Doutor Luiz Migliano. Vizinhos chamaram a polícia após ouvirem o disparo e os gritos da esposa do músico, Cláudia Campos, que está grávida. Ela estava no apartamento e foi levada ao hospital em estado de choque.O Condomínio é no 10º andar.
Segundo a Polícia Militar, Champignon e a mulher tinham saído com um casal de amigos para jantar em um restaurante japonês na noite deste domingo (8).
Cerca de dez minutos depois de o músico e a mulher retornarem para o apartamento, os moradores do prédio escutaram o disparo de arma de fogo, por volta da 00h. Além da PM, policiais civis do 89º DP (Portal do Morumbi) estão no prédio neste momento.
Uma equipe do Samu foi ao local e encontrou Champignon morto em seu escritório com um tiro na boca.

O corpo do baixista foi retirado do apartamento por funcionários do Instituto Médico-Legal (IML) pouco antes das 5h. O caso será registrado como suicídio no 89º Distrito Policial, em São Paulo.

Vizinho do casal, o corretor de imóveis Alexandre Benaion, de 40 anos, mora no mesmo andar e foi o primeiro a chegar para prestar socorro. "Eu ouvi um tiro, fui ver o que era e o rapaz já estava caído, cheio de sangue", disse. O corretor disse ter ficado surpreso com o suposto suicídio, porque o músico aparentava ser uma pessoa tranquila.

O músico Champignon fez um sinal de degola — dois dedos próximos ao pescoço — para a câmera do elevador do prédio onde morava, revelou o responsável pela monitoração. Ele e a mulher estavam mudos no elevador, não se conversavam.

De acordo com a delegada Milena Suegama, responsável pelo caso, a mulher do músico disse em depoimento que os dois discutiram durante o jantar em um restaurante japonês no domingo (8) e que, por isso, subiram em silêncio no elevador.
 
Segundo levantamento, a esposa teria dito a seguinte frase assim que ouviu o tiro:
— Amor, você não fez isso.


A empresária de Champignon, ex-baixista da banda Charlie Brown Jr, Samantha Jesus, afirmou, durante o velório do músico, que todos envolvidos no grupo estavam com dificuldades financeiras por causa dos baixos cachês. Isso teria sido o motivo da briga entre ele sua mulher, no restaurante. Mas o motivo seria a pressão psicológica após a morte de Chorão, e a falta que sentia dele.

A pressão vinha dos fãs do Charlie Brown e também de outros artistas que não aceitavam ele ter assumido o posto de vocalista que era de Chorão. Eu acho que isso mexeu muito com ele.

Amanda Scribeli, estudante de 15 anos, e outra fã de Champignon completou as informações de Andressa e ainda disse ter achado o músico muito estranho no palco, depois da morte de Chorão.

— Foi muito peso pra ele suportar depois da morte do Chorão. Fui a um show da Banca e ele ficava de um lado para o outro. Estava muito estranho. Dava para ver que ele não estava feliz.

Segundo Benaion, a esposa de Champignon, que se chama Cláudia Campos, está gravida de 5 meses. Após o corpo ter sido achado, Cláudia foi levada para um hospital, em choque. "Ela estava abalada, gritando, não falou nada, só gritava", disse.

Cláudia passou por atendimento no Hospital Metropolitano entre 2h32 e 6h50. O centro médico informou que não vai divulgar detalhes, mas que a alta sinaliza que ela não teve complicações.
O casal morava no apartamento, localizado no 10º andar, há cerca de um ano e seis meses. O imóvel do casal tem três quartos. O corpo foi achado no cômodo onde eram guardados equipamentos musicais e funcionava com um estúdio.

O síndico do prédio, Gino Castro, entregou para a polícia as imagens que mostram o músico e a mulher chegando ao prédio, pouco depois da meia-noite deste domingo. Segundo ele, o comportamento de Champignon era “normal, como de qualquer outro morador”. "Super tranquilos. Nunca tive nenhuma reclamação. Muito solidário com a molecada do condomínio", disse Castro.

No imóvel, um tiro

O sargento da Polícia Militar Ronaldo Moreira disse ter encontrado sinal de que apenas um tiro foi disparado. "Nós entramos (no apartamento) tinha uns vizinhos lá dentro, mostraram para a gente o quarto e verificamos o Champignon no chão. Muito sangue. Uma arma na mão dele e achamos uma cápsula da arma e um projétil", disse.
"Ela (mulher de Champignon) falou que eles tinham acabado de chegar do restaurante. Ele se fechou no quarto, ela escutou o estampido, o barulho do tiro, e depois foi pedir ajuda para o vizinho", contou o policial.

Segundo o sargento, a arma do crime é uma pistola calibre 380. Aos policiais que atenderam a ocorrência, Cláudia disse que o baixista tinha a pistola e outras duas armas. A perícia já esteve no apartamento e levou uma sacola preta com objetos.

A delegada Milena Suegama ainda revelou, que foram encontradas duas marcas de tiros no ambiente em que o baixista usava como escritório e estúdio. Um disparo estava no chão, como se o músico tivesse testado a arma. O outro foi o tiro fatal na cabeça. 

O delegado seccional Armando de Oliveira Costa Filho disse ao G1 que é "praticamente inafastável a tese de suicídio" do músico. O delegado disse que o caso vai continuar na delegacia da região, descartando inicialmente o envio do inquérito para setor especializado em assassinatos, o Departamento de Homicídios e  Proteção à Pessoa (DHPP).

Duas perdas no mesmo ano
Em 2013, Champignon perdeu dois companheiros de banda entre março e maio: o parceiro Chorão e o guitarrista Peu Sousa, ex-colega de Nove Mil Anjos, encontrado morto em maio em sua casa, no bairro de Itapuã, em Salvador.
Chorão morreu por overdose de cocaína, enquanto a morte de Peu foi provocada por suicídio, segundo informou na época a Polícia Civil da Bahia.

Ao G1, Champignon falou sobre as mortes no dia 6 de maio. "Os dois perderam a fé. Quando perdem a fé, perdem a vontade de viver. Foi mais um dia muito triste", disse o baixista.
"Eu acho que as pessoas, em algum momento da vida, perdem a fé. Independentemente se morrem por droga, ou enforcadas. Se perdem a vida sem culpa de ninguém, acredito que em algum momento perderam a fé", acrescentou.

Horas antes de Morrer, Champignon desabafou com um amigo

Poucas horas, o baixista Champignon desabafou que vinha sofrendo cobranças e críticas em relação A Banca, banda montada com os remanescentes do Charlie Brown Jr., menos de um mês após a morte do vocalista Chorão. No domingo, pela manhã, o músico chegou a ver uma montagem postada no mural em seu Facebook, onde era chamado de Judas.

"Era a foto nova de A Banca, escrito em cima: 'Os Mercenários'. Na frente do Champ escreveram 'Eu sou Judas'", relata  o cantor Perí Carpigiani, ex-companheiro de Champignon na banda Nove Mil Anjos, e um dos últimos amigos a conversar com o baixista no domingo à tarde, antes do músico jantar com a mulher e um casal de amigos. A montagem levou Perí a ligar para o amigo na tarde de domingo. "Entrei em contato com ele e falei: Champ, está tão pesado assim?"

"A galera não sabe pelo o que a gente está passando", respondeu Champignon.

A conversa se seguiu, com Champignon mais "frio" que o habitual, relata o amigo. "Foi a vez em que ele me pareceu mais frio, com vontade de jogar a toalha. Me espantou pela rapidez com que ele me respondia. Ele disse que provavelmente teria que abrir mão de alguma coisa, citou direitos autorais".

Perí chegou a morar durante dois meses com o baixista em Los Angeles, durante a produção do primeiro disco da Nove Mil Anjos, que contava com Junior Lima na bateria e Peu Sousa na guitarra - que também se suicidou em maio.
Entre lamentos por perder o segundo amigo da mesma forma – "é horrível ver a nossa foto, eu ao lado do Champ e do Peu" -, Perí tenta entender o que aconteceu depois que desligou o telefone com o baixista. "Existia a questão de bipolaridade. Que todos nós temos em grau menor. Um dia você tem um humor legal de manhã, e alguma notícia te deixa mal logo em seguida. O gráfico dessas emoções no Champignon fazia com que ele tivesse picos de alegria e de depressão. Às vezes o problema de um amigo está na cara, mas a gente não vê".

Perí sabia que Champignon tinha armas em casa, sem nunca ter entendido o porquê.  "'Joga essa merda fora', eu falava, 'você tem criança'. Não sei por que ele tinha isso. O cara era gente boa, para cima, mas tinha uma arma em casa".
Baixista de mãos hábeis e talento nato, Champignon era um músico requisitado e apontado como melhor baixista do Brasil. Mas o santista também sofreu altos e baixos na música. Em 2005, ele saiu do Charlie Brown Jr., banda que ajudou a formar, por desentendimentos com Chorão e o empresário da banda.
Novos projetos apareceram em seguida. Com a banda Revolucionnarios, virou vocalista pela primeira vez, sem nunca alcançar repercussão nacional. Em 2008, integrou a Nove Mil Anjos, que após dois anos de atividade, foi se separando aos poucos. Champignon chegou a tocar em uma banda cover, antes de procurar Chorão para voltar ao Charlie Brown, mesmo que a relação entre ele e o vocalista, morto em março, fosse de amor e ódio.

"Imagina toda essa trajetória. Ele era da banda que mais trabalhava no Brasil, e de repente está tocando em uma banda cover? Ele ficou com emocional abalado. No caso dele, foram picos muito altos, foram momentos de depressão", relata Perí.

Com a morte do Chorão, Champignon lançou A Banca ao lado e com o apoio dos remanescentes do Charlie Brown, e contratou uma baixista, Lena Papini, para que ele pudesse se lançar inteiramente como vocalista.  Na época, ele dizia para amigos e justificava nas entrevistas: "Se ficássemos em casa, morreríamos também". No começo a reação do público foi ótima, mas com o tempo, gerou o efeito contrário em alguns fãs.
"Ele estava sendo cobrado por ser o melhor baixista do Brasil, mas não conseguir liderar uma banda e lidar com os holofotes", avalia Perí. Uma parcela dos fãs do Charlie Brown, após aquele momento da morte do Chorão, perceberam que A Banca estava fazendo show menos de 1 mês da morte do vocalista. Rolava cobranças e questionamentos de que Champ queria tomar o lugar do Chorão", explica. Algo que, Perí conta, o baixista tinha consciência. "Os amigos que são irmãos mais velhos falavam: olha, cuidado, vai com calma. Isso pode ser interpretado dessa forma. Ele estava tentando algo por sobrevivência, ele não estava tirando onda, sabia que era risco", explica.
Em um dos primeiros shows de A Banca, na Virada Cultural em São Paulo, em maio, Champignon se esforçava em mostrar que não queria o lugar do antigo líder e se defendia em vários momentos da apresentação. "Não sei se é pior parar ou continuar tocando. Tá sendo difícil. Mas estamos aí pra tocar até o fim do ano. Estamos aqui por causa de vocês", disse.
"É muita pressão, mas se ele tivesse administrado melhor as críticas, e tivesse saúde mental... Ele não estava preparado para ser o líder de uma banda. Pelo que eu conheci dele: a crítica era a última coisa que ele queria ver. O cara de santos, da rua, do skate, sendo chamado de Judas? Isso pesou. Ele era temperamental sim, mas não era um cara que ficava apavorando. Na minha opinião, nada justifica o suicídio, mas é impossível dizer que ele estava em plena consciência", observa Perí. "Dá raiva, porque se eu soubesse... Às vezes o problema de um amigo nosso está na nossa cara, e a gente não vê"

Após alguns minutos, Perí se despediu do amigo por telefone. "Eu disse: 'não entre nessa pira, não ouça essas críticas. Eu tenho certeza que você vai se sair bem".

 
Champignon era atualmente o vocalista da banda A Banca, criada pelos membros remanescentes do Charlie Brown Jr. após a morte de Chorão.
O último disco do Charlie Brown Jr., "La Familia 013", gravado antes da morte de Chorão, está programado para ser lançado neste mês.
As 13 músicas inéditas do álbum, o décimo da carreira do grupo, foram gravadas pela formação com Chorão nos vocais, Champignon no baixo, Marcão e Thiago Castanho nas guitarras e Bruno Graveto na bateria.
Entre elas, estão "Meu Mundo Novo" e "Um Dia a Gente se Encontra", faixas que já tocam atualmente nas rádios pelo Brasil.


Aqui tem a última entrevista do Champignon.

Reprodução/Facebook/Charlie Brown Jr oficial

Capa do disco 'La Familia 013', o último de Chorão com Charlie Brown Jr.

Já rolava nas rádios "O Novo Passo" música do "A Banca", banda dos remanescentes do Charlie Brown Jr.


Em nota, A Banca divulgou o seguinte comunicado:
“É com muita tristeza que a família A Banca, amigos e família comunicam o falecimento de Luiz Carlos Leão Duarte Junior, nosso Champignon.
O momento é de muita dor, tristeza e saudade.
Agradecemos a todos pelas mensagens de apoio e carinho, no momento ainda não temos muitas informações.
Fique em paz Champs, nosso eterno guerreiro”.

09/09 - 19h00: Velório
10/09 - 15h00: Enterro
MEMORIAL NECRÓPOLE ECUMÊNICA - Mesmo cemitério de Chorão
Av Doutor Nilo Peçanha 50 - Marapé
Santos, SP | CEP: 11070-908
 Fonte: G1, Folha, Zero Hora, R7 UOL e  A Banca.

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